O INSTITUTO DA SAGRADA AYAHUASCA
Cerimônias de Meditação com Ayahuasca
Iremos conversar sobre a possibilidade de agendamento de uma cerimônia e a viabilidade da sua participação. Todos são bem vindos.
MEDITAÇÃO COM AYAHUASCA
A palavra meditação tem origem no latim meditare, que significa “voltar-se para o centro”. Meditar é observar sem divisão, sem o “eu” que é a essência das experiências do passado que geram a dualidade e anseios. Uma observação sem este “eu” é meditação.
Há muitos sistemas com métodos e técnicas que propõem a meditação, mas, respeitosamente, urge salientar que não existem práticas para se livrar do “eu”, justamente porque todas elas enfatizam esse “eu”.
Não há como através de uma prática negar a prática; através da prática não se erradica o resultado da mesma que ainda é o “eu”. Em um ciclo sem fim, isso mantêm a pessoa presa e longe da meditação e da realidade, porque a realidade não é uma experiência individual.
Nas técnicas de meditação preconizadas pelos sistemas meditativos o indivíduo está identificado consigo e concentrado em aplicar uma técnica, de modo que está em uma experienciação individual, e, portanto, não está em meditação, que, é justamente olhar sem este “eu”, observar sem qualquer divisão, pois divisão implica observar, estar em posição separada do todo, dualidade.
Meditar não é observar separado do que está sendo observado, meditar é mirar em totalidade, quando não existe mais observador e observado.
Quando observamos em totalidade existe ordem, não a ordem que o intelecto cria mas, sim, a ordem da ausência de divisão entre observador e observado, pois, são um apenas.
A ordem surge da ausência do “eu individualizado” porque quando, do contrário, existe um “eu individualizado” tentando meditar através de uma técnica o meditador foca em aplicar uma técnica e se põe separado do todo, surgindo neste momento um observador e algo observado.
No momento em que o observado não se mantiver dentro de um padrão esperado pelo observador criar-se-á a desordem entre o observador e o observado, porque, estando separados, surge a dualidade entre a ordem e a desordem, o observador e o observado.
Consequentemente, a meditação não é uma busca por experiências ou realizações pessoais, é um estado da mente no qual o “eu individualizado” está ausente, e, através desta ausência a ordem é gerada, porque enquanto se mantém dentro de um padrão cria-se a desordem no mundo, a dualidade entre o que é ordem e o que é desordem.
Somente quando a mente está completamente silenciosa, sem a memória e sem o tempo, é possível observar sem o “eu”. Isto porque a memória é o centro do “eu”, e, o tempo é este próprio “eu”, a evolução deste “eu”.
Portanto, não há como ficar em silêncio com as práticas que se desenvolvem a partir do “eu”, que usam a memória, a percepção do tempo, e, mantêm a dualidade entre “observador” e “observado”. O “eu” individualizado do todo, em uma postura de observador com suas memórias e a sua estrutura de tempo, observando algo separado de si, observa uma desordem que não existe.
A quietude não é algo que se possa adquirir através de uma prática, pois, ela somente aparecerá naturalmente quando houver ordem (o que por sua vez só acontece quando não há a divisão entre “eu” e “todo”).
É na qualidade de inexistência de “eu” que existe a total quietude da mente meditativa, em ordem completa porque mira em totalidade, sem os limites das memórias, do tempo nem da dualidade do “eu”, torna-se silenciosa e dinâmica, ante a ausência de refreamentos.
A mente que busca por algo idealizado só encontra desordem porque não consegue encaixar suas expectativas na realidade, e, o esforço para obter este encaixe e gerar a ordem leva à desordem, à dualidade.
Esta dificuldade surge porque não está em estado meditativo, não percebe totalmente sem qualquer divisão, pois, parte da ideia de que há uma ordem que está observando desordem, de que há dualidade.
Onde existe um “eu” olhando existe desordem, porque existe ali uma divisão, que gera antagonismo, e cria desarmonia. Observar totalmente sem divisão é meditação.
Existem muitos sistemas, métodos e técnicas de meditação, e, nelas as experiências pessoais têm tido um enorme peso, de modo que as pessoas têm buscado experiências pessoais e não a realidade, não a meditação.
Ressalte-se que se é uma experiência pessoal de alguém, então, tem pouca validade no que diz respeito à verdade, pois, referida experiência é uma projeção do universo interno pessoal buscando alcançar algo.
Ainda que atinja este algo, não é a verdade, pois, a verdade não é algo que se experiencia individualmente ou que progride com práticas; se fosse, a verdade seria uma experiência pessoal, mas, a verdade é coletiva e engloba tudo.
Na experiência pessoal existe a divisão entre o “eu” e o que é experienciado, e, ainda que ele a identifique como a verdade, ainda haverá uma divisão entre ele e o todo, ocultando a verdade. Então, negar as experiências pessoais é negar o “eu” que é a essência de todas as experiências que são o passado e não a verdade constante.
Se verdadeiramente colocarmos de lado todas as experiências pessoais dos seres humanos com todos os seus sistemas, métodos e práticas, chega-se à qualidade da mente que não está mais presa na matriz das experiências, que entende a parcialidade da experiência pessoal, que, não tem lugar na meditação.
A meditação não é algo praticado diariamente dentro do ajustamento a um padrão imitado, uma técnica, pois, a conformidade a um método ou sistema não pode levar à verdade.
O que os mestres podem fazer é apenas apontar e ajudar a pessoa a ir até a porta, mas, só ela pode abrir.
A meditação não é um problema, nem uma forma de escapar dos problemas ou evitar a realidade. É a compreensão em totalidade do que considerávamos ser problema apenas por estarmos em uma posição de observador dual diante do todo.
Não devemos meditar porque é algo que deve ser feito, isso tornaria a meditação um problema, algo a resolver, pois, se dependermos de algo a fazer ou alguém a nos ensinar entramos num estado de ansiedade permanente.
E isso não é recomendável, pois, o ser humano deve gerar ordem na casa que é o “eu” permanentemente, mas, isso não se faz buscando a ordem, ou perguntando a alguém onde ela está, mas, sim, compreendendo porque consideramos algo desordem, e, onde ela está dentro da casa que é o “eu”.
E, como não é possível usar apenas a intelectualidade para resolver um problema do intelecto, é preciso mirar de forma total, além do intelecto, o que no senso comum é denominado meditação.
Primeiro compreender completamente aquilo que se percebe como desordem, e não tentar resolvê-la com o intelecto conforme uma ideia pré estabelecida do que é ordem. Se apenas apreender completamente o que entende como desordem e parar de tentar encaixá-la dentro de um padrão do que entende ser a ordem a dualidade cessa e a desordem se desfaz.
Perceber-se separado do que chama de desordem, já é desordem.
Não devemos observar a desordem com o olhar de “eu” do alto de todos seus conceitos, mas, sim, olhar do mesmo nível sem este “eu”, de modo que somente assim a desordem da dualidade desaparece, e, isso é meditação. Estar em estado meditativo é estar sem divisão, sem o “eu”, unido ao Todo.
A palavra Ayahuasca (Aya–Waska) é um termo de origem Quéchua, onde “Aya” significa “Alma” ou “espírito”, e, “Waska” significa “liana” ou “cipó”. Significa, portanto, “cipó da alma”, ou, “liana dos espíritos”
A história da Ayahuasca envolve a da língua Quechua. A palavra Ayahuasca é Quechua, língua intimamente associada ao xamanismo . Os xamãs de Iquitos, onde o Rio Napo se junta à Amazônia, não falam Quechua, mas as suas práticas envolvem palavras Quechua.
Quechua é uma família de línguas que tem dois ramos principais: o ramo sul e o ramo norte, e vários, ramos isolados menores. O ramo sul engloba as terras altas do sul do Peru, Bolívia e norte da Argentina; o ramo do norte, inclui o norte do Peru, do Equador e do Sul da Colômbia. Cada ramo divide-se em vários dialetos .
Linguistas históricos traçam o Quechua protolíngua original para central do Peru, de onde os principais ramos divergiram entre mil e duzentos e dois mil anos atrás.
Quechua foi utilizada no norte do Peru e Equador muitos séculos antes da chegada dos Incas, de modo que Ayahuasca já existia antes dos Incas, e, inclusive, não há nenhuma evidência direta de que os Incas já usaram Ayahuasca.
O Quechua que está associado com Ayahuasca claramente pertence ao ramo do norte, pois, a pronúncia segue o padrão norte. O Quechua associado com Ayahuasca não é dialeto Inca.
O coração da Amazônia Quechua é a bacia do Rio Napo. O Rio Napo nasce no Equador, atravessa o Peru e desagua na margem esquerda do rio Solimões ou rio Amazonas. Sua fonte está localizada nos Andes, no Monte Cotopaxi a 4.270 metros de altitude. Tem 1.130 km de extensão, e, seus maiores afluentes são: Rio Coca, Rio Tiputini, Rio Yasúni, Rio Aguarico, Rio Curaray e Rio Tambor-Yacu.
O Rio Napo se junta ao rio Amazonas perto da atual Iquitos, assim, o Napo conecta diretamente as terras altas dos Andes para o rio Amazonas; é a parte mais acessível de toda a bacia amazônica, e, foi um importante corredor de troca intercultural. Dezenas de grupos étnicos diferentes trocando com o outro para cima e para baixo do rio, usando Amazônica Quechua como língua comum.
O contato entre planaltos e planícies se mostra na influência na música Napo Runa e roupas tradicionais e na forma como os líderes indígenas das terras altas do Equador empregam o “soplar” e a “shakapa” da mesma forma como é feito todos ao longo do Rio Napo para Iquitos.
Como a área mais acessível de toda a Bacia Amazônica, a região de Napo, foi a primeira parte da Amazônia a ser penetrada por europeus em 1541, também foi a primeira área atingida por epidemias que percorriam os principais rios, onde as populações estavam mais concentradas, e, também foram abaladas por diversas forças destrutivas, inclusive o rompimento missionário.
Como resultado da erradicação intencional de idiomas locais por missionários espanhóis, o remanescente da Amazônia Quechua ou Kichwa, desenvolveu-se como sobreviventes de grupos dizimados, casados entre si e agrupadas em novas famílias e aldeias. Eles falavam o idioma que eles tinham em comum um com o outro, Kichwa, e, os filhos cresceram falando Kichwa como língua original.
Como os antepassados foram os primeiros índios da Amazônia a encontrar os europeus, e foram os primeiros a serem atingidos por doenças europeias, conhecem muitas plantas porque precisaram de muitas medicinas que foram descobertas pelos Xamãs para ajudá-los a lidar com os novos desafios de cura. O atual Napo Runa conhece e utiliza um total de 1.600 plantas conforme afirma Richard Evans Schultes.
Quando as novas doenças os atingiram, não só as doenças infecciosas, mas as doenças do estresse da opressão e escravidão, Ayahuasca entre os Napo possibilitou o Estado meditativo no qual eles visualizaram quais as plantas específicas (e suas localizações) eles poderiam preparar para estes desafios.
Uma vez que a nova planta era colhida ela era preparada em conjunto com Ayahuasca para que em estado meditativo eles visualizassem os efeitos da planta e como lidar com ela para cura. Por isso o cipó Ayahuasca é considerado mestre e grande mãe das plantas.
As evidências sugerem fortemente que o Napo é o local de origem tanto do cipó Banisteriopsis caapi quanto da Ayahuasca: "Entre a maioria dos pesquisadores, há um consenso de que uma origem da Ayahuasca, embora remota que seja, deve estar localizado nas terras baixas amazônicas ocidentais em todo o Rio Napo"
Um documento, publicado por UMIYAC (União de Médicos Indígenas Yageceros da Amazônia Colombiana) mencionou a origem da videira no Napo. Weiskopf (2005:115) Escrevendo da Colômbia menciona a origem do Yagé como sendo no rio Napo.
O Antropólogo colombiano German Zuluaga localiza a origem da Ayahuasca ou Yagé no “refugio” de Napo, que inclui a região do Rio Napo ao Putumayo (Zuluaya 2005:175). Povos do norte do ponto de Napo para o sul para a origem da Ayahuasca, e, por outro lado, os povos ao ponto sul para o norte .
A evidência é consistente que Ayahuasca originou em Napo e difundiu-se a partir de lá. É também evidente que a Ayahuasca Xamanismo foi totalmente desenvolvida no Napo, e eventualmente evoluiu para preparados com aditivos como se espalhou.
Yagé é um dos nomes culturais da videira do gênero Banisteriopsis que origina a Ayahuasca.
Conforme a narrativa dos Xamã indígenas que contam a história da Origem da Ayahuasca; eis que Timbó, um jovem guerreiro da Tribo Achinaguá, contrariando um aviso dado anteriormente a todos, arpoa o grande peixe, que era muito grande porque continha toda a maldade em sua carne, e, ignorando o alerta sobre a maldade serve o peixe para as pessoas comerem, que, envenenadas pelo mal que estava contido no peixe adoecem, de modo que parte das crianças e idosos não resistem.
O Xamã desta Tribo, conhecido como Yagé, sabendo do ocorrido colheu as ramas de um cipó e preparou um chá, dando-o para os doentes beberem e limparem o mal que elas haviam ingerido.
Após beber do chá ofertado por Yagé as pessoas então regurgitaram e limparam seus intestinos, desenvenenando-se do mal da carne do peixe que comeram, colocando a maldade para fora e curando-se. Yagé salvou a Tribo daquela situação.
Então Yagé posteriormente incorporou-se ao mesmo cipó que utilizou para preparar o chá que tirou a maldade das pessoas.
Timbó então transformou-se em um cipó venenoso que leva seu nome e é utilizado para a pesca de grande quantidade de peixes, pois o peixe é atordoado pelo cipó Timbó, facilitando a pesca, ajudando assim as pessoas a terem peixe para se alimentarem.
Os indígenas afirmam que é por isso que sempre onde tem um cipó da Yagé há um cipó Timbó por perto, para que o mestre Yagé esteja sempre orientando Timbó.
Se um Xamã encontra um cipó selvagem na floresta, ele prepara uma bebida para determinar o seu valor para a inclusão em seu próprio “repertório”, especialmente em relação aos estados transcendentais que pode induzir, considerando que cada planta tem uma linhagem que a liga através de todos os tempos a todas as outras . Estas classificações são conforme critérios dos efeitos Xamânicos e os tipos de percepções produzidas.
Os Xamã podem identificar diferentes tipos de vegetais inclusive à distância, e, são capazes de utilizar para preparar medicinas de forças diferentes, para diferentes propósitos, ou em conexão com diferentes cerimônias ou necessidades transcendentais. Tais distinções são feitas de variedades e linhagens e os efeitos das plantas de mistura.
O primeiro cientista a estudar a Ayahuasca foi o Etnobotânico Richard Evans Schultes, o “pai da Etnobotânica moderna” tendo observado que os povos muito distantes do Amazonas usam a mesma vinha contida nos relatos das primeiras observações escritas dos padres jesuítas em 1700 acerca da videira ou liana, e, muitos exploradores, viajantes, antropólogos e botânicos também referiam-se a preparados a partir deste cipó da floresta.
Em 1972 Marlene Dobkin de Rios no seu livro Visionary Vine resumiu a definição unânime da Ayahuasca até a década de 1980, na qual, os antropólogos que escreveram sobre Ayahuasca definiam-na como Banisteriopsis caapi, ou como vinha do gênero Banisteriopsis.
Nos livros, a entrada de índice para "Ayahuasca" ou "Yagé" dizia, "ver Banisteriopsis caapi". Referiam-se à Ayahuasca como uma das duas espécies de uma Vinha sul-americana: Banisteriopsis caapi ou Banisteriopsis inebrians.
Em seus estudos, Schultes identificou que as tribos ocasionalmente adicionam outras plantas à Vinha. As mais utilizadas são as folhas de uma outra espécie de Vinha, a Banisteriopsisrusbyana, atualmente reclassificada como Diploptrerys cabrerana.
Como vimos, este "aditivo" não é adicionados para aumentar o efeito do cipó da Ayahuasca, ao contrário, ele é misturado formando Ayahuasca a fim de que o cipó, ao eliminar a dualidade e ensejar o estado meditativo, permita a quem bebe a Ayahuasca assimilar os efeitos da planta adicionada, de modo que o cipó da Ayahuasca tem um papel tradicional de apoio para a outra planta medicinal que com ele forma a Ayahuasca.
Já na Amazônia brasileira, Colômbia, Equador e Peru, as folhas das diversas espécies de Psychotria, principalmente a Psychotria viridis (arbusto pertencente à família do café rubioceae), ocasionalmente são adicionados.
Utilizam ainda a Cabrerana diplopterys (conhecida entre eles como Chakruna), a planta mais conhecida como Chaliponga ou Chagroponga, bem como outras espécies de Psychotria como a Amiruka, e, às vezes a Ilex guayusa.
Em 1984 Terence McKenna popularizou a ideia de que o papel da Banisteriopsis caapi através da Ayahuasca é tornar o DMT ativo por via oral, inibindo sistemas enzimáticos no corpo, evitando que haja neutralização da Ayahuasca pelas enzimas gástricas.
Desde então no mundo ocidental a Ayahuasca passou então a ser a combinação de e Banisteriopsis caapi e uma planta contendo DMT ativo por via oral, definição de 1984 por Luís Eduardo Luna após passar um período de estudos com Terence McKenna antes de iniciar seu trabalho de campo. Os antropólogos adotaram essa definição e filtraram suas observações através dele.
Surgiu então um hiato entre a percepção Xamânica e o posicionamento científico em relação à Ayahuasca, posto que, entre os sábios da natureza (Xamã) é a videira, a Ayahuasca (e não a folha adicionada) que é classificada de acordo com o tipo de percepção e efeito induzido, e, portanto, é a Videira que é a Ayahuasca. Mas, para a os sábios ocidentais (cientistas) a videira não possui princípio ativo (DMT), que, entendem ser o importante da Ayahuasca.
O posicionamento científico deu origem a um mistério, pois, os Cientistas identificaram que as folhas utilizadas isoladamente não possuem DMT, e, não sabem explicar como os povos indígenas descobriram a forma de criar os preparos da Ayahuasca com plantas que isoladamente a seu ver não têm efeitos, não possuem uma quantidade suficiente de DMT.
Todavia, ainda que não possuam a quantidade esperada de DMT oral, todo vegetal possui um poder, um efeito intrínseco, que os Xamãs da Ayahuasca são conhecedores como já explicamos no capítulo anterior.
Diante disso, neste meu estudo eu suponho que o DMT que é liberado pela Ayahuasca no corpo humano é proveniente da própria glândula pineal daquele que a bebe, de modo que o efeito da Ayahuasca não é o de adicionar DMT ao corpo humano, mas, sim, o de inibir os sistemas enzimáticos gástricos no corpo que neutralizam o DMT naturalmente produzido pela glândula pineal que são responsáveis por manter o estado padrão de consciência e evitar o constante estado meditativo quando o DMT entra na corrente sanguínea.
A Ayahuasca age como um catalizador do Estado meditativo ao fazer com que o DMT natural possa fluir sem o bloqueio da neutralização das enzimas inibidoras desde a glândula pineal para toda a corrente sanguínea, estabelecendo-se, assim, o estado meditativo.
O Neurocientista Antônio D'Amasio já descobriu que a Ayahuasca hiperativa altamente a área do cérebro que nos faz perceber, raciocinar e tomar decisões (o neocórtex), a região cerebral onde são armazenadas as memórias emocionais, especificamente as mais traumáticas ou significativas (a amígdala) e a região onde se cria a ponte entre nossos impulsos emocionais e nossa capacidade de tomada de decisão, onde a sabedoria é mediada (a ínsula).
De acordo com muitos neurocientistas nosso processo de tomada de decisão tem um poderoso componente emocional pelo papel da ínsula na área em que estados sentimentais são gerados, pois, quando qualquer estímulo entra no cérebro, ele tenta entendê-lo baseado em experiências anteriores, e, desde que nascemos, as experiências traumáticas criam uma impressão no cérebro, de modo que este padrão é como um atalho que é ativado toda vez que enfrentamos uma situação similar e há necessidade de decidir como agir.
Por exemplo, se uma vez fomos atacados, nosso cérebro pode fortalecer o conjunto das vias que associam aquele agente com todos os outros, fazendo temê-los em geral. Nós podemos mesmo reagir negativamente a uma referência distante. Eventos repetidos causam estes padrões neurais que reforçam estas conexões ligando-as com proteínas e construindo-as como uma cicatriz.
A Ayahuasca afeta esses padrões enraizados, hiperativa a região inteira do cérebro onde guardamos e processamos a memória emocional, habilitando a parte consciente e substitui temporariamente padrões anteriormente entrincheirados, permitindo que novas conexões sejam feitas.
Assim que estas novas conexões são criadas as memórias são reavaliadas. A Ayahuasca faz com que emerjam novas perspectivas de experiências passadas e de padrões de comportamento profundamente enraizados, vez que em estado meditativo através da Ayahuasca compreendem com a mente consciente o que estava no subconsciente, e, são capazes de ressignificar os eventos e reencontrar o equilíbrio.
A epífise neural ou glândula pineal é conhecida como “terceiro olho” devido à sua localização no centro do cérebro entre as sobrancelhas e pela sua sensibilidade à luz. É uma glândula endócrina em formato de pinha. Apresenta coloração vermelho-acinzentada e um diâmetro com cerca de 5 a 9 milímetros. Embora apresente um diâmetro reduzido, recebe um intenso fluxo sanguíneo e apresenta ramificações que costumam se solidificar até os 20 anos.
A pineal sintetiza dois hormônios essenciais para o corpo humano: a melatonina e a serotonina. Em 1972, Julius Axelrod descobriu que a glândula pineal humana produz DMT (Dimetiltriptamina), pois, nela estão presentes precursores e grandes quantidades das enzimas metiltransferases, que, tem a capacidade de converter serotonina em triptamina, e, anexar um grupo metil (um carbono e três hidrogênios), de modo que após “metilar” a triptamina duas vezes a Pineal produz dimetiltriptamina, ou DMT, de modo que em humanos o DMT está naturalmente no sangue, urina e no fluido cérebro-espinhal, ou seja, é uma substância endógena.
Este DMT endógeno é constantemente metabolizado pela enzima MAO (monoamino oxidase) hepática e intestinal, mantendo-o inativo em estado padrão de consciência. Todavia, assim como o DMT, algumas beta-carbolinas também são encontradas em seres humanos (no plasma e nas plaquetas).
As beta-carbolinas possuem a capacidade de inibir reversivelmente a enzima monoamino oxidase (MAO), permitindo, então que, o DMT endógeno deixe de ser metabolizado e então seja possível estados alterados de consciência como o estado meditativo. A natural inibição da MAO pela betacarbolina possibilita a ação da DMT endógena na prática da meditação.
São estas beta-carbolinas naturalmente presentes no plasma e nas plaquetas humanas que também estão presentes na Ayahuasca, razão pela qual sua ingestão faz com que o DMT endógeno natural deixe de ser metabolizado pelas enzimas hepáticas e intestinal. Aqui o mistério científico se soluciona: A Ayahuasca isolada realmente não possui DMT suficiente, e, as folhas utilizadas isoladamente também não possuem DMT suficiente, pois, o DMT que enseja os estados meditativos ou alterados de consciência é oriundo do próprio indivíduo, e, está em sua glândula pineal, em seu sangue e no fluido cérebro-espinhal.
O DMT desempenha uma função expansora no momento exato da morte biológica do indivíduo, e, fora dessas circunstâncias, o DMT também se torna naturalmente ativo em momentos críticos como o nascimento, acidentes, experiências quase morte, e, em estado meditativo. Quando o DMT é naturalmente ativado no corpo observam-se os seguintes efeitos:
• Hiperconsciência.
• Sentimento de reverência.
• Compreensões sobre a vida.
• Dilatação do tempo.
• Visualizações intensas.
• Dissociação.
• Despersonalização ou desrealização.
• Experiências extracorpóreas.
• Padrões de pensamento não convencionais.
• Mudança duradoura da perspectiva.
Percebe-se que as características acima informadas coincidem com as do Estado Meditativo, de modo que em meditação o DMT está ativo durante a meditação, e, pode atribuir-se à esta ativação a possibilidade de meditar.
Uma vez que a Ayahuasca atua como um catalizador neste processo de ativação do DMT natural, em virtude de sua ação inibidora das enzimas sintetizadoras e neutralizadoras do DMT, permitindo que ele entre em atividade na corrente sanguínea, a Ayahuasca é um catalizador do estado meditativo e, portanto, pode ser utilizada como auxiliar para aqueles que precisam identificar o que realmente é meditação, ou ainda, para aqueles que em virtude de alguma limitação ou condição momentânea precisam de ajuda para despertar este estado latente, de maneira que o buscador possa vir a realmente meditar.
Os caminhos utilizados desde a antiguidade para meditação requerem um certo tempo e condições dos quais muitas pessoas na atual fase da humanidade infelizmente não dispõem, todavia, elas igualmente necessitam da meditação. Assim, é importante que seja dado conhecimento a estas pessoas de que existe uma possibilidade de atingir o estado meditativo mesmo com as atuais limitações.
Em se tratando de alguém que necessita do estado meditativo o quanto antes e não dispõe de longos anos de vida para dedicar às tentativas, ou, ainda que disponha do tempo encontre-se em uma condição na qual não é capaz de identificar o que é o Estado meditativo para que o possa buscar, ou, ainda que o saiba, em virtude de alguma limitação momentânea não está sendo capaz de atingi-lo, a Ayahuasca é uma possibilidade muito válida e efetiva, de modo que entendo que deve ser informado ao paciente de sua existência para que analise a possibilidade de utilizá-la para chegar ao estado meditativo, para que, então, já tendo realizado sua meditação e se rearmonizado seja capaz de seguir adiante com a prática de meditação que sentir mais apropriada para si.
Também é objeto de estudo científico a interação da Ayahuasca no DNA humano. O vencedor do Prêmio Nobel pelo seu trabalho sobre a molécula do DNA, Francis Crick, afirma que embora atualmente somente conheçamos 3% do nosso DNA não há tempo suficiente na existência humana para a evolução que o DNA desenvolveu.
O que acontece conosco em estado meditativo, inclusive o induzido pela Ayahuasca, normalmente não é acessível porque é dificultado pelo cotidiano ajustado e concentrado em sobreviver fisicamente. O Estudo de Jeremy Nobis no DNA traz a noção de que pode haver a informação, a conexão direta com outro nível de realidade que de fato nos penetra e envolve, codificada em nosso DNA, e, que quando entram em estado meditativo têm notavelmente uma unicidade não-física que a ciência convencional não identifica como real.
A melhor explicação é que na verdade são reais, acessadas através de uma codificação, contendo um corpo de informações que podemos acessar apenas em estado meditativo, de modo que o único lugar onde poderia estar armazenado seria o DNA, que é o mecanismo que une a todos e explicaria porque as pessoas a 35.000 anos atrás e as pessoas de hoje compreendem as mesmas coisas em estados expandidos de consciência: porque eles compartilham as informações que estão escritas em seu DNA de alguma forma.
O cientista que estudou o DNA identificou que, diferentemente do que pensava a ciência moderna em seu projeto Genoma, o que é conhecido que está armazenado em nossos genes se refere a apenas cerca de 3% do DNA, de modo que todo o resto do DNA que foi ignorado pelo estudo do Genoma, e, tratado como "DNA Lixo", como se estivesse ali acidentalmente, em verdade é DNA onde parece haver uma estrutura linguística profunda escondida.
Se tomarmos um grande texto, e, contarmos o número de palavras nele, veremos que algumas palavras ocorrem com mais frequência, e, que há um "eu", resultando em uma linha reta que produz um gráfico específico de relação matemática entre a palavra e sua frequência, isso ocorre em todas as línguas, e esta estrutura matemática oculta é idêntica no DNA humano que erroneamente foi considerado "DNA Lixo" pela ciência tradicional mas não é encontrada nos 3% que eles consideram como DNA.
O cientista observou que esta peculiaridade, de haver algum tipo de mensagem em nosso DNA que estamos acessando em estado meditativo, explicaria estas semelhanças extraordinárias em estado expandido de consciência. Francis Crick era Ateu antes destes estudos, não acreditava existir algo além da matéria, mas, descobriu a estrutura de dupla hélice do DNA através de uma visão em estado expandido de consciência na década de 50.
É tecnicamente possível gravar informações no DNA, e, há informações gravadas que podem ser acessadas em estado meditativo, e, talvez, as compreensões obtidas em meditações, inclusive com Ayahuasca, podem estar gravadas no nosso "DNA lixo" que só pode ser acessado em consciência expandida, de modo que o que miramos em uma experiência meditativa não nos pertence, mas, sim, ao DNA que é comum a todos desde os antepassados, e, por isso, acessamos estas informações coincidentes que nos permitem compreender a unicidade, a ausência de dualidade, e, encontrar a harmonia através do estado meditativo.
Publicado, ainda, na revista Frontiers in Psychology, o estudo que investigou a semelhança entre as características do estado meditativo que a Ayahuasca auxilia a atingir e o estado que é experienciado por quem passa por Experiências de Quase-Morte (EQM), ambos em virtude da ativação da dimetiltriptamina (DMT).
Os cientistas do Imperial College London, no Reino Unido, realizaram testes em 13 voluntários com o DMT ativado. Eles responderam um questionário com perguntas como "cenas do passado foram revisitadas para você?” e “você viu ou se sentiu cercado por algo luminoso?”. As reações deles foram comparadas com as EQMs de 67 pessoas.
As afinidades entre as respostas confirmaram a evidência de que o estado meditativo mediante o DMT ativado através da administração da Ayahuasca é semelhante ao de uma EQM. “Nossas descobertas mostram uma semelhança entre os tipos de experiências que as pessoas têm quando tomam DMT e as que relataram ter vivido uma EQM”, disse Chris Timmermann, autor da pesquisa, para a Newsweek.
O cientista e professor David Nutt também contribuiu com o estudo, e, afirmou que os dados coletados sugerem que "os conhecidos efeitos de mudança de vida do DMT e da EQM podem ter a mesma base neurocientífica" e Robin Carhart-Harris, líder do grupo de pesquisas do Imperial College, comentou: "o DMT permite estudar e, assim, entender melhor a psicologia e a biologia da morte".
Mesmo com esses resultados, os estudiosos notaram que havia algumas diferenças sutis entre o estado meditativo e a EQM, pois, as pessoas que estiveram em estado meditativo foram mais propensas a descrever "entrei em um reino sobrenatural", enquanto os da EQM disseram "cheguei a um ponto sem retorno". Timmermann, o autor da pesquisa, pretende dar continuidade aos estudos, e, afirmou "Esperamos realizar mais estudos para medir as mudanças na atividade cerebral que ocorrem quando as pessoas tomam o composto".
Também há instituições universitárias com projetos de pesquisa em desenvolvimento, investigando o potencial da Ayahuasca. O neurocientista brasileiro Dráulio Barros de Araújo, do Instituto do Cérebro da UFRN; o neurocientista Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e, o Instituto D’or de Pesquisa e Ensino, encontraram evidências de que a Ayahuasca estimula a formação de novas células neurais humanas.
O psiquiatra Luiz Fernando Tófoli coordena na Unicamp grupos de pesquisa sobre propriedades curativas da Ayahuasca no auxílio ao tratamento dos adictos. O potencial da Ayahuasca é ilimitado, assim como é o da meditação. No campo da psicologia e psicanálise a Ayahuasca desperta também bastante interesse da Psicologia Transpessoal, pois um dos efeitos é facilitar a meditação e o autoconhecimento.
Na II Conferência Mundial da Ayahuasca, ocorrida em 2016 na capital do Acre, cientistas e terapeutas apresentaram resultados parciais de suas pesquisas, englobando o uso da Ayahuasca contra estresse pós-traumático; no combate da drogadição; e, para reabilitação e ressocialização de presidiários.
Há ainda estudos sobre os efeitos antitumorais. A harmina diminui a proliferação de vasos sanguíneos ao redor de tumores, diminuindo a proliferação de células cancerígenas e ativa vias de apoptose. No local do tumor, a DMT é transportada para o interior das células através dos transportadores SERT e VMAT2.
Com a ação das beta-carbolinas inibindo a enzima MAO, o DMT interage com o receptor intracelular sigma-1. Após a ativação, este receptor atua mediando influxo de cálcio na mitocôndria e modulando diversos canais iônicos na membrana celular. O influxo de cálcio na mitocôndria atenua o efeito Waburg, equilibrando o metabolismo enérgico da célula. Com a entrada suficiente de cálcio na mitocôndria, também ocorre a ativação do PTP, induzindo apoptose, que é um tipo de morte programada extremamente importante para organismos multicelulares, pois permite a eliminação de células infectadas ou com problemas.
A medicina da Ayahuasca certamente não deve ser tratada como remédio comum que age sozinho. A Ayahuasca é sagrada e poderá apontar para o participante a direção certa, auxiliando a compreender o que está errado ou pode lhe proporcionar uma condição de bem-estar elevado, mas depois da experiência é sua responsabilidade aplicar o conhecimento e trabalhar para garantir benefícios duradouros.
Quanto a sérios e crônicos problemas de saúde física, eles provavelmente não irão desaparecer com uma única consagração com Ayahuasca. Milagres podem acontecer, mas esses casos são raros. Ayahuasca pode colaborar com o corpo para liberar toxinas através do ato de purgar, abrindo caminho para a cura psicológica. No entanto, as condições crônicas geralmente não podem ser expurgadas, e algumas, como as cardiovasculares, por exemplo, podem colidir com a Ayahuasca de uma maneira ruim. É bem sabido que a Ayahuasca aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Combinar isso com um coração já em "overclock "pode ser perigoso, o que não é algo que alguém gostaria de experimentar, especialmente sob seus profundos efeitos.
Pessoas com sérios problemas de saúde mental, como esquizofrenia ou transtorno bipolar, também devem evitar a Ayahuasca se estiverem em crise. Inclusive, uma revisão recentemente publicada de estudos de casos de episódios psicóticos que estavam dormentes para manifestarem-se no futuro mas vieram à tona em pessoas que tomaram Ayahuasca ou DMT alerta para os perigos para aqueles pessoalmente afligidos por, ou com, um histórico familiar de psicose. A psicose "latente" que ainda não foi detectada pode vir à tona sob o efeito da Ayahuasca, e, talvez o participante não esteja disposto ou preparado para lidar e resolver esta enfermidade agora, embora ela esteja ali esperando para manifestar-se.
Meditando com a Ayahuasca
Em geral, os condutores de cerimônias frequentemente evitam oferecer a Ayahuasca a qualquer pessoa que esteja tomando algum tipo de medicação alopática porque as interações medicamentosas ainda não bem documentadas pela ciência, e, é melhor não consagrar se houver a possibilidade de um conflito químico. Isso se refere especialmente a medicamentos para pressão sanguínea, ISRSs (medicamentos para depressão) e até aspirina, já que é um anticoagulante. Obviamente, as drogas recreativas também não devem ser consumidas nem antes e nem depois de tomar Ayahuasca, especialmente estimulantes.
A dieta
A maioria dos alimentos são seguros para ingerir antes de beber, mas há alguns que, por observação, recomenda-se evitar. O composto tiramina, que é encontrado em alguns alimentos muito típicos, pode ter uma interação negativa com a Ayahuasca. Se consumidos com tiramina, os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), que são o principal ingrediente ativo da cipó Banisteriopsis caapi da Ayahuasca , podem causar reações adversas, como palpitações, náusea e dores de cabeça . A tiramina pode ser encontrada em alimentos fermentados, curados, envelhecidos ou muito maduros, assim como produtos de soja, produtos em conserva, certos feijões, pão de fermento, chope e vinho.
Normalmente, os requisitos de dieta listados pelos institutos incluem evitar sal, carne vermelha, açúcar, álcool, drogas e sexo. Estes podem ser saudáveis para manter distância por alguns dias antes e depois da cerimônia. No entanto, além do álcool, drogas e alimentos ricos em tiramina, orientações dietéticas adicionais servem mais para o seu estado de espírito, frescor físico e atividades espirituais, do que para evitar danos físicos.
O objetivo
É importante definir sua intenção antes de consagrar a Ayahuasca. Ter uma compreensão clara do seu estado mental, situação geral da vida e por que você quer consagrar Ayahuasca pode ser incrivelmente benéfico. Entrar na experiência sem objetividade pode muitas vezes levar em nenhum lugar. Da mesma forma, entrar nela com intenções materiais, como recreação, pode levar a lugares surpreendentemente obscuros ou densos. Sua intenção não precisa ser "grandiosa", só tem que vir do seu coração com objetividade além do momento. Deve ser simples ou clara ou significativa. Ao meditar com Ayahuasca, você tem a oportunidade de profunda sabedoria. Trazer uma intenção pura e honesta é uma ótima maneira de se apresentar à Ayahuasca, e sinceramente compreender por insight pode certamente melhorar suas chances de realmente florescer.
Finalmente, não se pode enfatizar o suficiente que a Ayahuasca deva ser tomada em circunstâncias confortáveis, respeitosas e indutoras de confiança para evitar riscos psicológicos. Antes de ir para um local verifique sua reputação e converse com as pessoas de antemão e certifique-se de que suas práticas ressoem com você.
Riscos e benefícios da Ayahuasca
Os benefícios potenciais de consagrar a Ayahuasca parecem superar em muito os riscos, pelo menos nas mentes de dezenas de milhares de participantes. Além dos abundantes relatos, a Ayahuasca também possui força na comunidade científica enquanto terapêutica potencial. À medida que estudos sobre seu efeito no tratamento das condições mentais, como dependência, ansiedade e depressão, continuam avançando, a recomendação da Ayahuasca para a cura psicológica está se tornando mais reconhecida e empiricamente estabelecida.
Depressão e ansiedade
Afetando cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, a depressão é um dos transtornos mentais globais mais comuns - e a Ayahuasca se mostra muito eficaz contra ela. Em um estudo recente realizado no Brasil, os pesquisadores observaram “ efeitos antidepressivos imediatos nas primeiras horas após a administração da Ayahuasca ” a pacientes resistentes ao tratamento, e esses efeitos de uma única sessão duraram várias semanas. Os resultados condizem com a análise de um trabalho acadêmico anterior, que argumenta que a harmina, principal composto da Ayahuasca da videira, poderia ter esse tipo de efeito depressor sobre o sistema nervoso central de animais e pessoas.
Como um associado comum à depressão, a ansiedade afeta cerca de 260 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais uma vez, a Ayahuasca mostra um grande potencial científico no tratamento dessa condição. Um estudo uma hora após a ingestão do chá obteve como resultado a diminuição dos escores de ansiedade e desesperança semelhantes ao pânico.
Vício
O abuso é uma epidemia global e o comportamento de dependência severa ocasiona grandes danos a indivíduos, famílias e comunidades. A Ayahuasca é capaz de auxiliar as pessoas a superarem estes comportamentos aditivos. Uma revisão da pesquisa sobre a Ayahuasca como um medicamento em potencial para a cura da dependência destaca resultados promissores, mas observa que são necessários estudos mais conclusivos. Embora não seja um estudo oficial, revisado por especialistas, este artigo narra o sucesso alcançado com abusadores que passaram por vários meses de tratamentos com Ayahuasca em combinação com terapia psicológica e vida comunitária em um centro de retiro no Peru. O trabalho feito pelo centro alega ter mudado a vida de 62% dos pacientes para melhor. Similarmente, um estudo observacional encontraram uma diminuição nos níveis auto-relatados de dependência em uma comunidade de consagradores de Ayahuasca no Canadá. O estudo incluiu cerimônias de Ayahuasca combinadas com sessões de aconselhamento em grupo.
A profunda experiência de meditar com Ayahuasca geralmente deixa as pessoas em paz. O professor de neurociência Dr. Draulio de Araujo tem pesquisado os potenciais benefícios do uso da Ayahuasca para o tratamento da depressão. Seu estudo envolveu 80 pessoas, cujo grupo incluiu muitas pessoas clinicamente deprimidas. Ele afirmou como resultado: Se uma palavra aparece, é "tranquilidade". Muitos de nossos indivíduos, sejam eles deprimidos ou não, têm uma sensação de paz após a experiência.
Saúde geral e além
Há também muitas pessoas que consagram Ayahuasca que não sofrem de problemas de saúde mental. A bebida pode ajudar os caminhos espirituais e o crescimento pessoal de pessoas saudáveis. Ele pode fornecer insights e perspectivas profundas sobre perguntas difíceis de responder, como escolhas de vida e bloqueios de criatividade .
A Ayahuasca provavelmente alcança alguns desses efeitos através da dissolução de padrões problemáticos de comportamento emocional aos quais podemos sucumbir, o que pode levar a pessoa a pensamentos e ações autodestrutivos. Como um estudo recente descreve, a Ayahuasca aumenta nossa capacidade de pensar de forma divergente e diminui o pensamento convergente, o que significa que nos faz sair da nossa "caixa mental" e considerar perspectivas diferentes, que não estão disponíveis quando estão presas a hábitos e reações condicionadas.
Juntamente com as descobertas de que a Ayahuasca estimula o crescimento de novas células cerebrais e reduz o processamento de julgamentos de nossas experiências e reatividade interna, o mecanismo de ação começa a fazer sentido: a Ayahuasca cria novas associações em nosso cérebro e até mesmo nova matéria cerebral muda a maneira como percebemos e reagimos; e algumas dessas mudanças parecem permanecer conosco após a experiência. A Ayahuasca estimula a criatividade de indivíduos saudáveis de muitas maneiras diferentes.
A experiência da Ayahuasca pode ser muito profunda. As pessoas frequentemente experimentam catarse emocional e percebem visões interiores ou lições que são pessoalmente significativas e profundamente esclarecedoras. Este é apenas o primeiro passo. Depois das experiências, as profundezas da jornada interior requerem um nível de reflexão pessoal, respeito e ' integração ' para ajudar a colher verdadeiramente os frutos da Ayahuasca.
É o nome que se dá às visões transcendentais em estado de consciência expandida com Ayahuasca. Neste estado, todos os sentidos e percepção ficam ampliados por sofrermos menos influência que a matéria exerce sobre nossos sentidos. Toda contemplação ocorre pelo fenômeno da sintonia entre o observador e o observado. O controle das mirações não é nosso e só contemplaremos o que for necessário e adequado. Todas mirações poderão ser entendidas conforme o amadurecimento com o passar do tempo. Não há miração sem propósito, isto porque o que vivenciamos nas mirações acionam mecanismos que atuam fortemente nos planos físico, mental e consciencial.
O que miramos?
A cada instante, cada vida vibra numa frequência específica, que, a nivela com o plano equivalente na qual se manifesta. Podemos sofrer com o nivelamento, mas sofreremos menos se não oferecermos resistência, sem nos esquecermos de que cada plano é multidimensional. Há mais esforço em alcançar e se manter nos superiores do que nos inferiores.
Como a miração começa?
Para atingirmos um nível superior adjacente, atravessaremos nossos próprios planos conscienciais, vivenciando sensações corpóreas, diagramas visuais fragmentados, passagem pelo seu inconsciente pessoal e pelo “inconsciente coletivo”.
Como miramos?
Podemos mirar de olhos abertos ou fechados. O mais importante não é a miração em si, mas a compreensão que virá por meio dela.
No estado de miração, atuamos no mundo das causas, onde tudo é intenso. Passamos a atuar além do físico, na realidade além do nosso plano, de onde tudo se origina e nos afeta diretamente.
A miração é um estado semelhante a sonhar consciente e desperto e com extrema lucidez, daí a facilidade que encontramos em compreender desde aspectos práticos da nossa vida física até intrincadas questões espirituais.
Neste estado provisório, refletimos sobre as situações atemporais em busca de uma solução pelo entendimento.
Como as lições são para além do físico, “ultrapassamos” a limitação da lógica racional e compreendemos a linguagem universal dos símbolos. Não há limites. As mirações ora são nítidas, diretas e reveladoras, ora são enigmáticas e oraculares, necessitando serem decifradas pela compreensão do participante ao longo do tempo.
Elas poderão ser densas, fugazes, de indescritível beleza ou não, mas todas serão compreensões que devem ser incorporadas à vida cotidiana para nos transformar em pessoas melhores para nós e para toda a humanidade.
Por que não miramos?
Por uma série de fatores:
– Se ainda estivermos em desenvolvimento desta condição,
– Se não houver necessidade ou se tivermos que desenvolver nossa perseverança/fé.
– Se tivermos algum bloqueio, não for o momento adequado.
A miração também é uma das manifestações do poder. E os poderes estão a serviço do saber da nossa consciência.
A miração só ocorre num estado de uma sensibilidade especial. Se usarmos a Ayahuasca e nos parecer que nada nos aconteceu, consideremos, ainda, que não só a dose podia estar inadequada,como também pode ser nossa insensibilidade, influência de condições externas que nos deixam muito tensos, ou, até mesmo porque a Ayahuasca está operando num nível de cura que independe da sua miração. Só miramos quando nos é permitida a entrada, quando assim tiver de ser, por razões que com o tempo compreenderemos.
Há “tipos” de mirações?
Podemos classificá-las em 4 tipos (apenas para uma questão de entendimento):
– As cotidianas: São as que contêm questões sociais, morais e éticas do nosso dia a dia e nossos pensamentos. Estão relacionadas à mente e com a esfera física.
– As arquetípicas: São as representadas por símbolos tais como serpentes, águias, espadas, castelos, cálices e seres míticos ou mitológicos que se relacionam ao nosso inconsciente pessoal ou ao inconsciente coletivo.
– As reveladoras: São aquelas relacionadas com estados vibracionais sutis e aos chamados “seres divinos” que se valem de todas as formas de entendimento ou cura: sons, cores, perfumes, corpos luminosos, imagens, figuras geométricas, símbolos, raios cósmicos e campos de força, diversas elementos ainda desconhecidos para nós.
– As das diretrizes espirituais: Onde nos integramos com a essência divina em estado de “ausência da mente” e obtemos esclarecimentos que aceleram nosso progresso espiritual ou do grupo a que estamos afiliados.
As mirações da cosmovisão Shipibo.
Na Amazônia peruana, a tradição labiríntica do kené, o bordado mítico do povo Shipibo, é inspirado pela cosmovisão das mirações da Ayahuasca. As índias Shipibos da região de Pucallpa, na Amazônia peruana, bordam, ponto a ponto, as linhas dos motivos inspirados pelas visões geradas pela Ayahuasca. O traçado dos desenhos segue padrões geométricos e labirínticos, nunca repetidos, que expressam a intrincada cosmovisão Shipibo e os seus ícaros, as canções entoadas nos rituais com Ayahuasca. O banho com raiz queimada é o toque final de dois meses de trabalho. Antes do tingimento que confere o peculiar tom amarronzado à peça.
Para os Shipibos, a sagrada Ayahuasca é um meio de interlocução dos homens com a espiritualidade, plasmada nas expressões culturais e no artesanato. As mulheres tomam Ayahuasca, sabem recitar de memória os ícaros, as canções medicinais e curativas, cantadas nas cerimônias com Ayahuasca. A tradição de desenhar, bordar e tingir os kenés constitui a base da vestimenta feminina, da cerâmica e dos acessórios Shipibos. Depois de trabalhados, os tecidos de 1,30 m x 0,90 m, originalmente feitos de algodão de altíssima qualidade, são amarrados à cintura.
A arte kené está ligada ao conhecimento da biodiversidade e às “plantas de poder” da selva, reveladoras da cosmovisão Shipibo. As mulheres que tomam a Ayahuasca e têm visões possuem mais prestígio do que aquelas que apenas copiam os desenhos das outras. Gotas de piri piri (extratos de cipós) também são colocadas no umbigo das adolescentes ou pingadas como colírios para “curar os olhos”, ou seja, para ativar a habilidade artística “de ver desenhos em seus pensamentos”. É assim que as mulheres descrevem a inspiração dos motivos labirínticos que fiam e bordam. Em 2008, o governo peruano protegeu o kené Shipibo declarando-o como patrimônio nacional cultural. Foi patrimonializado também o uso cerimonial da Ayahuasca, em torno do qual se desenvolve a medicina e uma produção artística original na Amazônia peruana.
A tradição de desenhar, bordar e tingir os kenés constitui a base da vestimenta feminina, da cerâmica e dos acessórios Shipibos. Depois de trabalhados, os tecidos de 1,30 m x 0,90 m, originalmente feitos de algodão de altíssima qualidade, são amarrados à cintura. As mulheres tomam Ayahuasca, sabem recitar de memória os ícaros, as canções medicinais e curativas, cantadas nas cerimônias com Ayahuasca. Para os Shipibos, a sagrada Ayahuasca é um meio de interlocução dos homens com a espiritualidade, plasmada nas expressões culturais e no artesanato.
A arte kené está ligada ao conhecimento da biodiversidade e às “plantas de poder” da selva, reveladoras da cosmovisão Shipibo. As mulheres que tomam a Ayahuasca e têm visões possuem mais prestígio do que aquelas que apenas copiam os desenhos das outras. Gotas de piri piri (extratos de cipós) também são colocadas no umbigo das adolescentes ou pingadas como colírios para “curar os olhos”, ou seja, para ativar a habilidade artística “de ver desenhos em seus pensamentos”. É assim que as mulheres descrevem a inspiração dos motivos labirínticos que fiam e bordam. Em 2008, o governo peruano protegeu o kené Shipibo declarando-o como patrimônio nacional cultural. Foi patrimonializado também o uso cerimonial da Ayahuasca, em torno do qual se desenvolve a medicina e uma produção artística original na Amazônia peruana.
O conhecimento e uso da música, em especial o canto, como elemento curativo do saber está presente entre vegetalistas que além da prática com plantas medicinais também usam cantos de poder chamados ícaros, mediante os quais se comunicam com a dimensão dos seres dos vegetais e suas manifestações de poderes além do limiar do espaço/tempo.
No âmbito das plantas professoras destes cantos a principal medicina usada é a Ayahuasca através de sua ingestão elas mostram estes cantos e outros conhecimentos necessários para a prática. O período de iniciação pode durar desde alguns meses até vários anos; as plantas que ingerem periodicamente fazem com que tenham que fazer jejum e guardar abstinência sexual. Neste aprendizado os seres das plantas se apresentam ao praticante e transmitem a maneira de identificar e lidar com enfermidades, forças prejudiciais, como agir além do tempo e do espaço.
Esta aprendizagem também se faz através da música: os poderes se solidifica e manifestam principalmente através da memorização dos ícaros, cantos que o vegetalista aprende sobre seres das plantas, animais, pedras, lagos, montanhas, etc. durante as mirações produzidas pela Ayahuasca ou em sonhos, além de herdarem alguns de seus “maestros”.
Cada planta tem seu próprio ícaro e é usado para diferentes aplicações, existem ícaros específicos para lidar com determinadas enfermidades ou buscar certas evocações. No processo do trabalho com o vegetal pode se cantar só o ícaro, usar como reforço das plantas medicinais ou cantar também no preparo de uma aplicação da planta. Existe certa hierarquia entre os ícaros e cada praticante possui um principal, que representa a essência de seu poder.
Normalmente o primeiro que se aprende dos ícaros é uma melodia musical que se vai impregnando a memória e essência do vegetalista. Posteriormente durante as cerimônias ou dietas, as letras que formam o conteúdo do ícaro, vão vindo à sua mente por intuição.
O ícaro surge do fundo da alma do praticante e, no princípio pode ser algo sutilmente perceptível conforme o tempo e as cerimônias vão transcorrendo o ícaro vai tomando forma. O mais importante a ter em conta é que ao começar a receber um ícaro tem que deixar o consciente parado e fluir com a energia do momento.
A língua utilizada em alguns ícaros que se cantam é em espanhol e alguns outros tem a letra em quechua, em kokama ou em omagua e até no idioma do vegetalista; se considera que os ícaros cuja a letra esteja em língua indígena tem mais poder. Alguns vegetalistas cantam uma mescla das três línguas.
Geralmente às letras se atribuem as características de um animal para alcançar o efeito que se busca através do ícaro específico deste animal. A melodia por si mesma tem poderes curativos. A letra deve ser claramente inteligível para que todos conheçam o ser e o animal que se evoca.
Há tantos ícaros quanto praticantes . Cada um tem seu ícaro pessoal. Ele é o que confere a especificidade do poder. Existem ícaros para começar a cerimônia. Ícaros para proteger o lugar. Ícaros para cobrir com um “manta de piedra”; coisa que fará que as forças contrárias externas não interfiram na prática. Ícaros para chamar a cada planta. Ícaros para lidar com cada enfermidade.
O ícaro auxilia também ao vegetalista entrar em êxtase e expandir a consciência utilizando a força da Ayahuasca que permanece em seu organismo constantemente desde a primeira vez que tomou a Ayahuasca, caso não tenha acesso ao chá para ingerir naquele momento.
São cantados ícaros em todas as cerimônias de consagração, que talvez não sejam muito compreensíveis pois há alguns em que as palavras estão em idiomas antigos como a língua Quechua por exemplo.
Estas melodias quando cantadas despertam e reforçam as compreensões e o equilíbrio, também servindo para fortalecer, propor ou afastar situações mentais em que os participantes estejam, por isso, é interessante inclusive quando recebemos a compreensão do que está sendo cantado.
A expansão da consciência na consagração com a Ayahuasca permite compreensões tanto do que entendemos como "luminosidade" quanto do que costumamos rotular como "obscuro" haja vista que em verdade as coisas são o que são, e, nós e que as classificamos conforme melhor nos convêm o momento. A Ayahuasca, como tudo que há, tem várias nuances... neste âmbito, ela pode ser branca, amarela, negra, marrom... cada manifestação física em seu âmbito energético, assim como nós que também temos muitas faces, algumas até desconhecidas de nós mesmos.
Devemos, portanto, humildemente buscar as compreensões sem rótulos de certo ou errado, sem julgamentos, buscas ou rejeições, de modo que amadureçamos e sejamos capazes de compreender o que nos fere para sermos capazes de atuar em defesa, o que nos desequilibra para alcançarmos a cura e o que podemos transmitir como nossa melhor manifestação enquanto individuais.
Assim, a consciência expandida permite inclusive que compreendamos de modo mais profundo o que está sendo cantado, e, que os ícaros estimulam nossos gatilhos mentais, auxiliando no direcionamento suave dos nossos processos de compreensão e reorganização de entendimentos, afastando os rótulos, permitindo encontrarmos um referencial neutro de equilíbrio para melhor aproveitamento das compreensões.
Como se sabe, não devemos "jogar" com as coisas classificando como luminosidade ou obscuro, mas, devemos observar para assimilar e adquirir consciência do trocar, dar e absorver, mantendo assim o equilíbrio.
A seguir, alguns ícaros:
Playlist Youtube com Ícaros