AYAHUASCA
O que é Ayahuasca e qual o objetivo de meditar
O Ser humano é capaz de compreender a si mesmo enquanto ser individual, e, à universalidade em que está contido; ao objetivo de existir; e à causa e consequência das manifestações que o permeiam, em infinitas possibilidades de transformações, mediante diversas intensidades em que está envolto, cujos efeitos perduram além dos conceitos lógicos.
Esta compreensão, permite experienciar a consciência de que a origem da vida pré existe ao nascimento, permeia toda a experiência humana, e, transcende a morte; entretanto, a ciência, os conceitos filosóficos e as crenças não são capazes de resumir em um único nicho linear esta compreensão, de modo que seja possível repassá-la aos demais com palavras organizadas, racionalmente, inteligíveis pelo senso comum.
Não possuir esta compreensão é como caminhar sem ver, aos tropeços, despendendo vida a cada vez que se reergue para um novo tombo no escuro. Já aquele que compreende, passa a caminhar percebendo as nuances do meio, o que lhe permite melhor seguir com seus pensamentos, palavras e obras.
Considerando que não é possível repassar esta compreensão com palavras de uma pessoa para a outra, e, que o ser humano não obtém esta compreensão em um nível comum de estado de consciência, mas, sim, ao expandir sua capacidade cognitiva, por este motivo, a glândula pineal localizada no cérebro humano produz naturalmente em todos nós diariamente uma substância neurotransmissora cuja molécula é sintetizada pelo corpo humano como um catalizador dos processos mentais, permitindo que a mente humana atinja sua máxima capacidade de processamento e desempenho, necessária para atingir um estado de consciência que permite obter esta compreensão.
Referida molécula é chamada pela ciência de dimetiltriptamina (DMT), e, é liberada naturalmente pelo nosso cérebro em ocasiões de atividade mental diferenciada que demandam mais para serem compreendidas e uma maior velocidade de conclusão de pensamentos, como, por exemplo, quando nossa mente está envolta na atividade de produção de sonhos, quando estamos em estado meditativo, e, até mesmo no momento da morte (ocasião em que é a DMT é liberada completamente no organismo).
A molécula DMT existe naturalmente no corpo humano (também existe em animais e vegetais), porém, só é liberada no organismo de uma pessoa comum em estados mentais pontuais, de modo que, aquele que almeja obter as compreensões acima referidas necessita estar consciente nestes momentos e, que se expande a capacidade cognitiva. Esta expansão da consciência é natural e é necessária para que alguém seja capaz de suportar a demanda mental que é atingir estas compreensões, processar este nível de informação, e, continuar em equilíbrio mental.
Considerando que estes momentos não acontecem conforme a nossa vontade, quando objetivamos compreender e, para tanto, primeiramente obter esta expansão, precisamos estimular de algum modo a liberação do DMT que permitirá atingir a máxima capacidade consciencial, e, para esta tarefa, há muitos caminhos, inclusive atividades como meditação e yoga, que, demandam um longo período de dedicação e desenvolvimento, que, algumas pessoas não dispõem em virtude de limitações de ordem física, emocional, ideológica ou logística. Para tanto, há a consagração com Ayahuasca.
A Ayahuasca estimula a liberação do DMT que todos nós possuímos armazenada em nossa glândula pineal, e, neutraliza as enzimas que cotidianamente evitam que a molécula de DMT em nossa corrente sanguínea fique ativa e nos mantenha em estado meditativo, de modo que ocorre o processo de expansão da consciência que permite atingirmos nossa máxima capacidade mental, que, perdurará conforme a nossa própria quantidade de DMT armazenada e como nossa mente a gerenciar no processo mental da compreensão que demanda entendimento além da comum lógica racional, que, é o objetivo da reflexão.
O estado meditativo alcançado pelos diversos sistemas meditativos conhecidos é igualmente alcançável mediante a intervenção da Ayahuasca no processo enzimático de neutralização do DMT natural humano. A diferença entre aquele que medita com a Ayahuasca, e, aquele que medita através de um dos sistemas meditativos é que, aquele cuja meditação se torna conhecida apenas com a Ayahuasca, abruptamente irrompendo as ilusões de toda uma vida, choca-se ao despertar, e, tem muito a reestruturar internamente, enquanto que, aquele que dedicou-se tradicionalmente ao longo de toda a vida à meditação dentro de um sistema com seus métodos e técnicas caminhou desperto e veio estruturando-se internamente ao longo do tempo.
A Ayahuasca é, portanto, uma oportunidade para que o estado meditativo esteja acessível a todo buscador, tanto para aqueles que utilizam um sistema meditativo quanto para aqueles que não participam de um sistema meditativo específico, e, sequer conhecem algum método ou técnica. A Ayahuasca permite o despertar da capacidade inata de meditar.
A Ayahuasca é o preparo produzido de forma sagrada pela união das folhas do arbusto Chacrona (que possui DMT e que carinhosa e respeitosamente nos reportamos como “Rainha”) com os fragmentos do cipó da videira Jagube ou do cipó Mariri (que possuem os inibidores das enzimas digestivas do processo de sintetização do DMT pelo organismo permitindo postergar a conclusão do processo de liberação do DMT armazenado e consequentemente estimulando a continuidade da liberação na corrente sanguínea e atuação nos neurotransmissores).
O preparo da Ayahuasca denomina-se “feitio”. Inicia-se com a colheita das folhas (há quem utilize também as flores e os frutos) da Rainha, colhidas por mulheres, que com cuidado mantêem no arbusto as folhas de cima (folhas novas), optando por colher apenas as folhas do meio, e, deixando as folhas de baixo (folhas antigas). Estas folhas são cuidadosamente limpas uma a uma e reservadas para posteriormente unirem-se ao cipó. O Jagube, ou o Mariri, são cortados e limpos por homens, que após cortar cuidadosamente raspam limpando a parte externa e os sulcos do cipó para retirada de resíduos, e, após lavar e umedecê-los dedicam-se à tarefa de “bater” o cipó para que as fibras se soltem revelando a seiva interna. Todo este processo é acompanhado de cantos (ícaros) que evocam a força da Ayahuasca que permite a continuidade do trabalho do feitio.
Após obter a quantidade proporcional de folhas e cipó, o cozimento ocorre em noite de lua cheia, sob fogo sagrado que consome uma madeira especial, e, em panela que acomoda as folhas e fragmentos do cipó sob uma cruz também feita da mesma madeira especial da floresta, sob os cuidados de um "feitor", devidamente investido desta autoridade, que, continuamente ali permanece acrescentando as folhas à fervura, entoando os cânticos (ícaros) e suportando os efeitos da força dos vapores emanados do cozimento, que, envolve a energia espiritual que dará a “força” da Ayahuasca.
Neste momento o feitor trabalha com sua consciência expandida, percebendo todos os sons, aromas, cores, formas, e manifestações energéticas dentro e fora de seu corpo, em tudo o que há à sua volta e inclusive acessa conhecimentos ancestrais que estão no seu subconsciente e toda a egrégora divina inerente à vida universal.
Após concluído o feitio, o líquido é armazenado em garrafas e a Ayahuasca repousa sob a guarda de pessoa investida desta autoridade de “guarda” por certo período em local silencioso armazenada e passa por um processo natural de oxidação/fermentação (daí ser denominada também de vinho das almas), à temperatura ambiente, ocasião em cuja umidade evapora sob a forma de ar exercendo grande pressão sob a garrafa como resultado do processo de concentração.
Após a conclusão do preparo, a cada período ela vai se tornando mais concentrada. É armazenada sempre em temperatura ambiente, e, ocasionalmente pode demandar a necessidade de uma nova “fervura” com tambores, maracás e cânticos para preservação de suas características originais caso haja uma longa passagem de tempo desde o seu preparo.
A Cerimônia de consagração com a Ayahuasca é conduzida por pessoas investidas desta autoridade, carinhosamente denominadas “padrinhos” para quem o conhecimento e autorização foi passado por pessoa investida da mesma autoridade após um sério processo de consagrações e expansão de consciência, compreensões, orientações e desafios internos que demandam o trabalho pessoal de amadurecimento espiritualístico, capacitação, desenvolvimento, despertar e desbloqueio de cada condutor de cerimônia.
A Cerimônia de Ayahuasca é extremamente sagrada e respeitosa, de modo que é neutra e receptiva em relação às mais diversas naturezas e convicções religiosas humanas, acolhendo desde o mais crédulo e convicto até o mais descrente e cético cidadão, haja vista que, de forma adequada, a Ayahuasca considera os limites e envergaduras de cada indivíduo ponderando suas necessidade e capacidades momentâneas e a cada um permite acessar as compreensões e curas que lhe são cabíveis naquela ocasião.
Durante a Cerimônia, cada participante respeitosamente recebe em suas mãos a exata quantidade a ingerir da Ayahuasca e permanece em silêncio e repouso em seu local de reflexão, com a consciência expandida, tendo ampliada a sua capacidade de percepção através dos seus sentidos (audição, tato, visão, olfato e paladar) e de sua capacidade de processos mentais de compreensão e percepção, assim como reavivamento de memórias distantes e percepção de situações atuais que estavam passando despercebidas, de modo a tornar-se capaz de chegar sozinho às suas próprias conclusões, não demandando a necessidade de intervenções externas.
Assim como em nossa vida o que compreendemos passa a fazer parte de nós eternamente, do mesmo modo, o que percebemos, desvendamos e compreendemos durante as consagrações com Ayahuasca nos acompanhará daquele momento em diante, não havendo, portanto, como retornar ao estágio anterior à consagração.
Há de se saber que, assim como não é possível mergulhar mais de uma vez no mesmo ponto de um rio, pois, tanto nós como as águas fluem e se modificam constantemente de modo que quando saímos dele nem nós nem o rio somos mais os mesmos do momento do primeiro mergulho, assim também, após consagrar com a Ayahuasca e expandir a consciência não devemos ambicionar voltar a ser quem éramos antes da primeira consagração, nem tampouco almejar ter as mesmas experiências ou compreensões que outros ou que sejam sempre positivas, pois, mudamos consideravelmente daquela primeira oportunidade em diante, intensificando e acelerando o processo de compreensão da realidade, crescimento das responsabilidades e da consciência, de modo que nos cobraremos mais, repensaremos nossas verdades fundamentais, perceberemos o que realmente para nós faz sentido e retomaremos o melhor curso para nossas vidas.
Assim, antes de consagrar com a Ayahuasca devemos estar certos de que é um passo importante em nossas vidas, e, que não há como retroceder para a confortável posição de inocência ou ignorância, pois teremos atingido a compreensão de quem realmente somos, seja isso agradável ou não, e das causas e consequências de tudo o que pensamos, dizemos e fazemos, estejamos ou não dispostos a aceitar, pois, a rejeição não é capaz de alterar a realidade mas tão somente de causar dissabor. Ao buscar a Ayahuasca há de se ter maturidade, respeito, equilíbrio, humildade e responsabilidade e certeza sobre o que podemos abrir mão e o que almejamos atingir.
Para aqueles que buscam compreender a verdade no aconchego do seu silêncio interior, direto da fonte, sem a interferência de mestres, gurus, doutrinadores, filosofias, ideologias ou ensinamentos humanos, há a Sagrada Ayahuasca, que, misericordiosamente nos permite atingir, com muito trabalho e dedicação pessoal interna, a compreensão de quem somos e como é o melhor jeito de nos manifestarmos, bastando que estejamos prontos para sairmos da aparente zona de conforto e abrirmos mão de nosso suposto porto seguro para adentrarmos em um caminho que possui apenas entrada e que nos levará à zona do desconhecido: nosso Eu interior, nossa origem e nosso destino.
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