AYAHUASCA COMO CATALIZADOR DO ESTADO MEDITATIVO



A epífise neural ou glândula pineal é conhecida como “terceiro olho” devido à sua localização no centro do cérebro entre as sobrancelhas e pela sua sensibilidade à luz. É uma glândula endócrina em formato de pinha. Apresenta coloração vermelho-acinzentada e um diâmetro com cerca de 5 a 9 milímetros. Embora apresente um diâmetro reduzido, recebe um intenso fluxo sanguíneo e apresenta ramificações que costumam se solidificar até os 20 anos. 

A pineal sintetiza dois hormônios essenciais para o corpo humano: a melatonina e a serotonina. Em 1972, Julius Axelrod descobriu que a glândula pineal humana produz DMT (Dimetiltriptamina), pois, nela estão presentes precursores e grandes quantidades das enzimas metiltransferases, que, tem a capacidade de converter serotonina em triptamina, e, anexar um grupo metil (um carbono e três hidrogênios), de modo que após “metilar” a triptamina duas vezes a Pineal produz dimetiltriptamina, ou DMT, de modo que em humanos o DMT está naturalmente no sangue, urina e no fluido cérebro-espinhal, ou seja, é uma substância endógena. 

Este DMT endógeno é constantemente metabolizado pela enzima MAO (monoamino oxidase) hepática e intestinal, mantendo-o inativo em estado padrão de consciência. Todavia, assim como o DMT, algumas beta-carbolinas também são encontradas em seres humanos (no plasma e nas plaquetas).  

As beta-carbolinas possuem a capacidade de inibir reversivelmente a enzima monoamino oxidase (MAO), permitindo, então que, o DMT endógeno deixe de ser metabolizado e então seja possível estados alterados de consciência como o estado meditativo. A natural inibição da MAO pela betacarbolina possibilita a ação da DMT endógena na prática da meditação. 

São estas beta-carbolinas naturalmente presentes no plasma e nas plaquetas humanas que também estão presentes na Ayahuasca, razão pela qual sua ingestão faz com que o DMT endógeno natural deixe de ser metabolizado pelas enzimas hepáticas e intestinal. Aqui o mistério científico se soluciona: A Ayahuasca isolada realmente não possui DMT suficiente, e, as folhas utilizadas isoladamente também não possuem DMT suficiente, pois, o DMT que enseja os estados meditativos ou alterados de consciência é oriundo do próprio indivíduo, e, está em sua glândula pineal, em seu sangue e no fluido cérebro-espinhal. 

O DMT desempenha uma função expansora no momento exato da morte biológica do indivíduo, e, fora dessas circunstâncias, o DMT também se torna naturalmente ativo em momentos críticos como o nascimento, acidentes, experiências quase morte, e, em estado meditativo. Quando o DMT é naturalmente ativado no corpo observam-se os seguintes efeitos: 

Hiperconsciência. 

Sentimento de reverência. 

Compreensões sobre a vida. 

Dilatação do tempo. 

Visualizações intensas. 

Dissociação. 

Despersonalização ou desrealização. 

Experiências extracorpóreas. 

Padrões de pensamento não convencionais. 

Mudança duradoura da perspectiva. 

Percebe-se que as características acima informadas coincidem com as do Estado Meditativo, de modo que em meditação o DMT está ativo durante a meditação, e, pode atribuir-se à esta ativação a possibilidade de meditar. 

Uma vez que a Ayahuasca atua como um catalizador neste processo de ativação do DMT natural, em virtude de sua ação inibidora das enzimas sintetizadoras e neutralizadoras do DMT, permitindo que ele entre em atividade na corrente sanguínea, a Ayahuasca é um catalizador do estado meditativo e, portanto, pode ser utilizada como auxiliar para aqueles que precisam identificar o que realmente é meditação, ou ainda, para aqueles que em virtude de alguma limitação ou condição momentânea precisam de ajuda para despertar este estado latente, de maneira que o buscador possa vir a realmente meditar. 

Os caminhos utilizados desde a antiguidade para meditação requerem um certo tempo e condições dos quais muitas pessoas na atual fase da humanidade infelizmente não dispõem, todavia, elas igualmente necessitam da meditação. Assim, é importante que seja dado conhecimento a estas pessoas de que existe uma possibilidade de atingir o estado meditativo mesmo com as atuais limitações. 

Em se tratando de alguém que necessita do estado meditativo o quanto antes e não dispõe de longos anos de vida para dedicar às tentativas, ou, ainda que disponha do tempo encontre-se em uma condição na qual não é capaz de identificar o que é o Estado meditativo para que o possa buscar, ou, ainda que o saiba, em virtude de alguma limitação momentânea não está sendo capaz de atingi-lo, a Ayahuasca é uma possibilidade muito válida e efetiva, de modo que entendo que deve ser informado ao paciente de sua existência para que analise a possibilidade de utilizá-la para chegar ao estado meditativo, para que, então, já tendo realizado sua meditação e se rearmonizado seja capaz de seguir adiante com a prática de meditação que sentir mais apropriada para si.